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domingo, 8 de agosto de 2021

Daikatana realmente me surpreendeu

Apesar do título da postagem parecer ser um click bait, não é. 


Definitivamente, eu fiquei surpreso com Daikatana e hoje eu até entendo que o jogo poderia sim, ser promissor se não tivesse acontecido várias coisas que "ferraram" com a carreira do co-criador de Doom.(Assista o vídeo abaixo que explica o que eu estou falando!) E como fã da franquia Doom (afinal, tenho todos os jogos clássicos originais e resenhados aqui no blog, além de saber criar mapas e trazer muito conteúdo da franquia neste site, incluindo, outros jogos de Romero). É lógico que compraria Daikatana para experimentar.


Como eu sou um tiozão que começou a jogar games ainda no Atari, me lembro do anúncio do jogo - mas não pude saber o que aconteceu com ele e como o Jonh Romero desapareceu da Terra até a chegada da internet. O game foi um desastre comercial tão grande que praticamente apagou tudo de bom sobre o programador que nos trouxe Doom, Wolfenstein e outros.


Mas será que Daikatana é assim tão horrível como vi em vídeos, sites e diversas análises?


Vou te contar a minha experiência e você pode entender melhor sobre a proposta do jogo, ok? Não é um game perfeito, muito menos para ser comparado com Doom, por exemplo. Mas quando você o conhece - ele é divertido sim, principalmente quando se joga em rede com amigos (no blog já ensinei como você cria uma rede lan virtual para jogar doom 3 coop, use o mesmo sistema em Daikatana!) 


Você acreditaria que eu fiquei tardes inteiras na frente do pc jogando Daikatana sozinho? (E não foi para escrever resenha aqui no blog, foi porque eu ESTAVA ME DIVERTIDO DEMAIS!) Por isso, entendi alguns itens do porque ele não conseguiu ser agradável para os fãs de Doom, e vou explicar baseado na minha experiência.

O primeiro grande problema do Daikatana é que ele coloca o jogador no mais alto desafio assim de cara. Ambiente escuro, inimigos muito rápidos e irritantes e a grande cereja do bolo: um mouse todo desregulado. Você tem a sensibilidade do mouse já calibrada de forma que você dá um toque pro lado e já dá quase um 360... mexa nisso e o jogo já vai mudar pra caramba. Quando eu configurei para ser a mesma sensibilidade que tenho para jogar CS GO, o jogo já deu uma melhorada. Além de uma escuridão terrível, na qual, a única forma de enxergar seria atirando com o rifle inicial, que não pode ser usado na água pois o personagem recebe dano! (Entendo que quer fazer o jogo difícil, mas deixá-lo broxante nos cinco primeiros minutos afasta o interesse de sua própria fan base.)


Por exemplo, no Doom. Você já começa numa base com poucos inimigos apenas para se acostumar com os comandos. A fase é curta e induz aos novatos quererem matar os monstros! Só na segunda fase que começamos a entender que devemos procurar chaves para abrir portas e a dificuldade vai aumentando gradativamente. Em Daikatana, não! Você é jogado no escuro sem nenhuma iluminação e deverá se virar com monstros aquáticos sendo que você não pode atirar com sua única arma para não levar dano... além disso, você aprende que algumas máquinas não são destruídas e deverá sair correndo...

Enquanto na primeira fase de Doom temos soldados bizonhos que matam uns aos outros por nada, e Imps que morrem facilmente com alguns tiros. Em Daikatana você luta contra sapos e vespas robôs que somados a escuridão e a vantagem de estarem em seu ambiente... tiram todo o seu brilho. (Mas, felizmente, após mais de 24 horas de jogo - percebi que poderia ficar tudo claro mexendo nas opções... mas fica registrado minha audácia de ter passado naquela escuridão toda!)


O game apresenta coisas novas que a princípio, não são explicadas nem no manual e se o jogador soubesse assim de cara, evitaria muitos problemas. Coisas como frutas que ao clicar com o botão direito, curam o personagem em 10% é uma delas! Outra coisa muito bem-vinda, foram os cristais de salvamento, onde você não pode salvar o jogo até ter um desses cristais. Isso evita a fórmula no Doom e "um passo, um save" e força o jogador a ser mais cuidadoso que ao mesmo tempo, refina sua habilidade. A princípio, essa implementação é horrível, mas você logo se acostuma. Também passar de um mapa para o outro salva o jogo sem nenhum custo. Só que veja bem, caso você ache esse sistema muito chato, você pode habilitar os salvamentos infinitos nas opções e poderá salvar a hora que quiser, invalidando tais cristais de salvamento. Por isso, se você estiver jogando de forma a exigir esses cristais - tente voltar num mapa a outro para racioná-los - assim, você pode optar em salvar o game em um ponto consideravelmente desafiador. Mas são resetados assim que o personagem passa de fase! Como o estágio é dividido em vários mapas, aproveite para voltar uma área ou outra para economizar cristais de salvamento.

Daikatana nos apresenta um sistema de níveis (como no RPG) que não é mencionado os botões para usá-lo no manual (que safadeza!). Quando se avança de nível, o jogador pode optar qual ponto irá preencher alguns atributos, que podem ser ataque, vitalidade, armadura, etc. Use as teclas "k" e "l" para mover para cima e para baixo, enquanto o "ç" você usa para confirmar. E ao entender isso e morrer muitas vezes (porque o jogo é desafiador), você começa a perceber que os inimigos iniciais não são tão terríveis assim, e o jogo vai ficando mais fácil na medida em que se ganha novas armas. As mesmas teclas são usadas para dar comandos aos outros personagens... que pelo amor de Deus, você tem que saber contornar os bugs para não perder seu progresso. Afinal, você precisa de todos os seus aliados vivos para passar de uma área do mapa - só que as vezes, eles ficam presos em algum local - exigindo que você volte, ou fique perto deles e coloca o comando para segui-lo.


Falando ainda em aliados, não sei se realmente eles levam munição. Mas você pode mandar que os mesmos peguem os itens para si. Há uma cabine chamada Hosportal, que permite a cura do seu personagem por inteiro - que felizmente, você pode mandar comandos para que seus aliados também usem e se regenerem. Por isso, não tenha vergonha de voltar meia fase para usar o Hosportal, pois sem isso, ninguém conseguiria zerar Daikatana. Por isso que itens de cura não são muito relevantes! Como os aliados recebem comandos, você pode mandá-los ficar parados - mas em companhia com os mesmos é divertido. Principalmente quando você entra numa sala cheia de inimigos e sabe que teria certo trabalho se estivesse sozinho. Por sorte, haverão momentos em que você deverá ir sozinho e abrir passagem para seus aliados passarem... eles mesmo avisam quando chega nessas partes.

Tirando os ambientes escuros que chegam a ser irritantes no começo, o jogo possui um design de fases muito melhor que em jogos como Unreal e Quake (cujo já resenhamos aqui no blog ambos) - e ter NPCs que jogam contigo, você se sente que está jogando online com alguém; Se o jogo não começasse da forma que inicia, com certeza, mais pessoas jogariam.


Minha primeira experiência com esse jogo foi jogando cooperativo com meu irmão, na intenção de zoa-lo mesmo. Eu com a versão da Steam e ele com a versão da Gog (na qual, comprou para fazer a resenha aqui, mas eu queria tanto jogar que aproveitei a promoção aqui da Steam e por isso, jogamos em rede!) Mesmo numa gameplay de quase 3 horas rindo e zoando, podemos perceber que não era algo tão zoado. O que me motivou a jogar sozinho, pois quando se joga multiplayer, não há GAME OVER se você morrer - você volta pro início do mapa e tudo fica resolvido.

Os combates são legais. As armas são interessantes e a grande coisa que irrita por boa parte do jogo, são os ambientes escuros. O que significa que se você odiou a escuridão de Doom 3, sinta-se aliviado lá porque pelo menos o doomguy está equipado com uma lanterna. E por se tratar de um jogo feito pelo produtor de Quake, algumas coisas são similares. Há secretos e estágios ligados um ao outro, com a diferença que temos uma história aqui. Como não sei inglês, pouco me importei para ela - o que eu queria mesmo é o desafio. Alguns monstros tendem a aparecer terríveis, mas são fracos, enquanto outros que parecem serem frágeis, são terríveis.


Outra coisa que temos aqui é o uso de arma branca. Minha primeira impressão sobre o uso da espada são as piores possíveis. Logo eu, que zerei SEM DETONADO o Hexen (cujo já resenhei aqui no blog) e até o momento, joguei um pouco do Hexen 2 o suficiente para escrachar que lá o uso de armas brancas dá 10x 0 aqui (sendo que usa a mesma engine de Quake 2, quem diria). No começo, você tem ambientes escuros e vai se adaptando... Após conseguir a espada no primeiro ato, voltei no tempo. O que era para ser comemorado, virou uma tormenta - pois estava com somente 20% da minha vida e ao ser jogado na próxima fase, o jogo não fez nem o trabalho de restaurar minha saúde (o que era para ser o mínimo, já que tinha perdido todas as armas e ficado com a espada)

Na boa... entendo que eu tenha voltado no tempo após pegar a espada... mas porque tirar minhas armas e me obrigar a lutar com um monte de soldados esqueletos com uma mecânica tão mal feita? (Adaptação, meu amigo... para sobreviver, você tem que ter adaptação!). Jogos difíceis exigem isso, e confirmo que Daikatana é difícil. Mas, ele pelo menos consegue ser mais justo como pérolas  que presenciei em Tomb Raider: The Angels of Darkness, que não consegui zerar porque o PERSONAGEM SECUNDÁRIO não tinha munição e o jogo não deu... (sempre vou me lembrar dessa bosta!)


Como eu disse no título dessa postagem: o jogo me surpreendeu. Está certo que é meio estranho usar a espada, mas com o tempo - consegui lidar com ela de boa. Só que o Jonh Romero fez questão de além de presentear com essa "não muito útil arma branca" , nos deu um disco. Cujo funciona como um bumerangue e insere o modelo de FPS mesmo você tendo apenas uma espada, ou seja, você não é obrigado a usá-la se não quiser (a menos que erre um alvo com um disco e não vá buscá-lo!).

Enquanto Doom nos deu nove armas, aqui você pode coletar seis - mas aí vem a grande sacada. As armas mudam de acordo com a linha do tempo que o herói está. (E que são totalmente diferente uma das outras!) O negócio é tão legal, que o Hosportal assumiu uma outra forma e os kits médicos que encontramos nessas fases são feitos com outro modelo - parecia que eu estava jogando Hexen 2 em alguns momentos! Teve uma hora que eu vi que um dos inimigos era um Grifo... Uau! Nunca vi um grifo como adversário em jogo de FPS... por isso, é uma pena que o projeto tenha tido tantos problemas...


Ele seguiu o mesmo "pecado" de Duke Nuken Forever (cujo já resenhei no blog) e gostei demais. Entendendo que ele não é ruim, apenas ultrapassado para a época em que foi lançado. Assim como este, Daikatana poderia ser muito mais promissor. Seu maior problema, foi o de querer torná-lo o jogo perfeito, a obra máxima de Jonh Romero - em vez de fazer algo divertido para as pessoas, assim como foi Doom e outros. Infelizmente, o mesmo aprendeu com seu próprio ego.

O jogo é dividido em quatro "linhas do tempo", onde o personagem recebe em cada uma delas - um arsenal de seis armas novas - lutando contra criaturas próprias e resolvendo alguns puzzles para abrir caminho (não é mais aquele negócio simples de pegar chave certa para entrar). No "capítulo 2", que se passa na Grécia, existe uma arma que é uma granada - e ao segura-la, por se tratar de algo que está pegando fogo - você poderá usá-la para se tornar uma lanterna (o que para época, era interessante demais).


Daikatana pode ser jogado cooperativo em rede (mesmo que tire a diversão de avançar de nível quando seu personagem morre), mas é bastante legal esse conceito. Você vai matando inimigos, ganhando xp, avançando de nível e escolhendo qual "habilidade" inserir, que pode ser aumentar sua munição, sua velocidade, sua precisão ou mesmo, seu próprio HP! Realmente, fui um cara que gostou desse jogo. Comprei pela zoeira, mas... ao dar uma chance a ele - percebi que ele seria realmente um jogaço se John Romero não fosse minimalista e não estivesse com seu ego acima de tudo e de todos.


Se tem algo que eu acredito que Daikatana supera Quake e seus concorrentes, seria o design das fases - mas infelizmente, não é só uma boa construção de fases que fazem um bom jogo. Recomendo que você mexa nas opções e tire aquela escuridão desnecessária que afasta muitos de tentarem conhecer o game melhor.


Minha análise é da versão Steam, mas, a versão da Gog é a mesma e que dá pra jogar com ambas em rede (já que a do meu irmão é uma versão diferente da minha). Compre pelo link abaixo, ou espere uma promoção caso você só queira jogar o original sem gastar muito:


https://store.steampowered.com/app/242980/Daikatana/

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